No alcance do tiro

No alcance do tiro

Escrito por: Riana Hulsman | Localizar: Pretoria, Sør-Afrika | Publicado: quinta-feira, 10 de março de 2011

O irmão que está falando no salão durante a reunião, é interrompido pelo engatilhar de uma pistola.

Meio sentado, meio em pé, eu me viro para ver o que está acontecendo. "Que tipo de brincadeira de mau gosto? Quem são os homens com pistolas de brinquedo?" Pelo canto do olho eu vejo meu irmão com as mãos levantadas, e eu percebo, que não se trata de uma brincadeira. É real!

Despreparado para morrer

Com o rosto no chão, e batimentos do coração que se soam como tambores nos ouvidos, segundos parecem uma eternidade, e tudo que se tem a fazer é pensar sobre sua vida. "Deus, eu não estou preparado para morrer."  Tem tantas coisas que eu lamento, eu preciso de mais graça, eu preciso mais óleo para minha lâmpada. "Eu oro em silêncio, enquanto estou deitado no chão.

Um sapato grande vem em minha direção, para conseguir se aproximar da pessoa ao meu lado, e um cotovelo me atinge pelo lado, para ter mais espaço. Eu vejo que o ladrão rouba seu relógio. Eles revistam ele várias vezes. Parece como se não estivessem me vendo, mas pouco antes deles irem, um deles se vira para mim.

"Deus, proteja meu pai!"

Ele pega no meu braço, virando-me e procura por uma corrente do lado de dentro da minha camisa. Ele procura por um celular no meu bolso. "Espere um minuto, vou encontrá-lo. Ele está no bolso. "Sou eu quem estou falando? Eu olho diretamente nos olhos do ladrão, e nunca esquecerei o medo dele estampado nos olhos. Milhões de pensamentos passam pela minha cabeça.

Eu ouço como alguém recolhe as chaves dos carros.

De repente o homem está pronto, e eu caio no chão, mas agora posso ouvir como meu pai é ameaçado. Novamente eu oro: " Deus, proteja meu pai, eu não sei o que faremos sem ele." Eu ouço como alguém recolhe as chaves dos carros.
E outros que estão vasculhando o quarto ao lado. Eles falam ansiosamente e rápidos um com o outro, como se estivessem apressando o próximo. Depois de alguns minutos de silêncio terríveis, percebo que eles se foram.
 

Um após o outro nos levantamos. Algumas das meninas mais novas que estavam sentadas atrás de mim, choram. Suas mães as consolam. Ao meu lado uma mulher começa a chorar desenfreada, enquanto seu marido liga para a polícia - os ladrões devem ter negligenciado seu aparelho. Eu não sei o que devo fazer, eu estou tremendo e as lágrimas estão próximas. "Agora não consigo chorar, tem outros que precisam de mim", eu penso, e respiro fundo, antes de começar a consolar um outro.

Pronto para Jesus

Mais tarde, enquanto oramos agradecemos todos a Deus, que ninguém sofreu algo mais sério, tenho a clereza de que não posso continuar a minha vida dessa maneira. Eu decido, aproveitar cada segundo da minha vida de maneira certa, para não brigar mais ou ser má.

Quatro anos depois estou muito agradecido por aquilo que Deus me enviou naquele dia. Tivemos uma sorte tão grande. Ladrões vieram e ficamos intactos. Muitas semanas mais tarde eu ainda tinha medo de sair a noite, mas eu tinha aprendido a confiar em Deus e no que está escrito em Mateus 10, 30: " E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados." Ele tem cuidado pleno de mim, e cada situação da minha vida é planejada como sendo o melhor para mim.

Eu amo a África do Sul, e não tenho a intenção de sair daqui. Eu quero viver e fazer a vontade de Deus consciente, sempre preparado para o dia em que Jesus voltará. Deus tem me dado a vida, e obedecer a sua palavra é o melhor caminho para que tudo fique bom novamente.